quinta-feira, março 15, 2007

Consumidor - Desculpe, quem?

Como típica pessoa corriqueira não fujo à corriquice e vamos lá falar do dia do consumidor, leia-se hoje.
Pois bem, a ASAE, que para quem não sabe foi apenas criada no ano passado e provou em pouco tempo que por vezes a desconcentração de poderes é nefasta e que, até, agora soube usar muito bem a comunicação social para passar um certo efeito dissuasor entre aqueles, que de uma forma ou outra, prestam um serviço a outro. Pois para defender o cidadão lá saiu hoje à rua numa mega operação e fechou, até agora, um hotel, 15 padarias, levantou contra-ordenações, fiscalizou veículos, inspeccionou outros estabelecimentos e apreendeu peixe na lota de Setúbal que não estava em condições de ser vendido ao público porque muito vinha em caixas de madeira, mas já estava em condições para ser doado ao Banco Alimentar.
Isto no mesmo dia em que um deputado do PS apresentou uma proposta de lei para eliminar as tarifas que os operadores da luz, água e gás cobravam pelos seus contadores, coisa que, aliás, nunca deveria ter existido, porque ninguém me pode obrigar a pagar uma coisa que é a empresa , e não o Estado, que me obriga a ter em minha casa.

Isto parece muito lindo, mas esta coisa passa-se no mesmo país em os consumidores tem ao mesmo tempo muitos direitos e muito poucos. No país em que muitas empresas públicas monopolistas abusam dos seus poderes contra os consumidores e os reguladores e o Governo nada fazem. No mesmo país em que o próprio Estado não respeita os cidadãos e tem posições que em nada respeitam os cidadãos enquanto consumidores dos seus serviços.
Mas já que este é o ano europeu para a igualdade e que o senhor Sócrates já tomou esse tema como uma das suas bandeiras vou-vos falar de mobilidade. Mobilidade neste país cheio de auto-estradas que em nada servem para quem não tem carro. Coitados dos que se têm que se submeter a transportes públicos neste país que é metropolitano e esquece que há mundo para além das grandes cidades. Neste país em que a concorrência é rara no sector dos transportes, porque é raro haver mais de um operador a prestar o mesmo serviço e se há a concorrência continua a não existir porque só muda o nome e o preço continua o mesmo (já nem falo do sector ferroviário). Neste país onde o consumidor tem que se sujeitar aos horários que bem apetece ao operador (há vida para além da hora de ponta sabem?) e que tem que pagar o que bem apetece ao operador por um serviço que na maior parte das vezes é mediocre.
Mas perguntam, o que é que mobilidade tem a ver com igualdade? Esquecem-se sempre do mesmo não é? Daquele que infelizmente não anda e que tem que usar uma cadeira de rodas. Se a nossa mobilidade é reduzida, imagine a deles, a terem que andar em passeios que são parques de estacionamento ( e não falo só de Lisboa). Não conseguirem entrar nos autocarros sem ajuda ,porque a maior parte deles é da Alemanha dos anos 80. Não conseguirem entrar na maior parte dos edificios, porque mais vale pagar a multa do que fazer os acessos, e as escadas são bem mais fáceis de fazer, e mesmo a vergonha de não poderem entar na maior parte dos edificios públicos. Não conseguirem entrar num comboio porque à distância entre a entrada e plataforma existe um degrau (tirando nos da Fertagus) a acrescentar.
Mas o exemplo máximo é o Metro de Lisboa. Corrija-me se estou errado, mas não há uma única estação do Metro de Lisboa que tenha uma acesso a cadeira de rodas. Entrada especial para cadeira de rodas? Isso todas têm. Algumas até um elevador têm entre a plataforma de embarque e o nível das portas, mas para a superfície? Nem uma. Algumas até têm o delicioso pormenor de subirem de nível para as bilheteiras e voltarem a descer ao mesmo nível para a plataforma de embarque. Talvez as da linha Vermelha tenham elevadores, não sei, não reparei, mas também é a menos utilizada.
É bom falar de consumidores, mas é bom que se lembrem de todos, porque até agora o Príncipio da Igualdade ainda não foi revogado!

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