segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Espaço meu , espaço meu

Da última vez que olhei ali pró "about me" ali à direita ainda estava lá o meu nome apenas e sendo assim posso escrever o que quiser sem vincular mais ninguém. Então cá vai. Desculpem , mas é grande.
Para a minha pessoa é de uma saloiice incrível e um acto de má-fé desmezurável o que algumas pessoas do lado do Não ao referendo estão a fazer nesta campanha.
Começo pelo argumento da "não pena" para a mulher que aborta que é das coisas mais hipócritas que tenho ouvido neste referendo. Eu devo ser muito estúpido de certeza, mas acha a minha pessoa que quem vota Não neste referendo quer que o aborto continue a ser um crime. Isso e mais nada. Quer que quem aborta vá para a cadeia , porque como eles dizem um aborto é um assassínio, e se é um assassínio a mulher não tem mais nada do que cumprir pena de cadeia por isso. Mas o Não Light (para usar a expressão do MRS) não fala assim, o Não light quer a mulheres em tribunal para serem absolvidas, o Não-light quer proteger a vida ultra-ulterina contra aqueles assassinos que votam Sim, mas ao mesmo tempo são muito humanos, e como são muito humanos, não querem ver as mulheres na cadeia. Ainda ontem me dizia o meu pai que há 8 anos diziam o mesmo, que depois do referendo iam apresentar uma proposta para retirar a pena às mulheres. Viu-se.
Aliás o objectivo é simples: pura e simplesmente enganar o eleitorado que está na dúvida se a pergunta defende a despenalização ou a liberalização total ( como eles dizem) e levá-los a votar Não porque não querem ver as mulheres na cadeia.
Ora a "liberalização" leva-me para o nosso segundo ponto. "Liberalizar", diz o dicionário da língua portuguesa, quer dizer " dar com liberdade, prodigalizar". Ora se o aborto fosse liberalizado podia-se fazer sem qualquer entrave, uma espécie de " hoje não há cinema por isso vou abortar", sem qualquer acompanhamento médico, sem qualquer apoio psicológico, etc etc etc. Pois bem, não quereriam vossas excelências que tivesse tudo na pergunta, pois não? Aliás diz o art. 115º da constituição que a pergunta do referendo de ve ser objectiva, clara e precisa que é o que esta é. Senão vejamos: estabelece a despenalização da IVG; estabelece que deve ser até às 10 semanas, fruto do acordo entre o "centrão" e medicamente aconselhado; por opção da mulher, pois deve ser esta a decidir por sua vontade e não por vontade da família ou por vontade do pai; e , claramente, num estabelecimento de saúde legalmente autorizado, onde mais? Pronto, é isto que está em jogo, nada mais.
Outro ponto é a campanha do " as senhoras do Não é que apoiaram durante estes anos todos as mulheres e levaram-nas a não abortar e a ter os filhos com qualidade e dignidade ou então a da-los para adopção, enquanto os do Sim( esses filhos da p...) andaram a armar barraca em frente aos tribunais". Pois, que lindo. então o que é que faz a Associação para o Planeamento Familiar, maior instituição nacional no apoiom à mulher grávida? O que faz a equipa do Dr. Albino Aroso no hospital de St. antónio no Porto que revolucionou o planeamento familiar em Portugal e levou a que Portugal estive-se nos países com menor taxa de mortalidade infantil. O que fazem inúmeras associações de mulheres por este país que apoiam a mulher grávida, que prestam voluntariado nas maternidades e em IPSS. Será que votam todos Não? Dúvido, por isso não queiram ficar com o papel de bonzinhos só para vocês.
Depois vem o mais bonito argumento desta campanha, defendido e divulgado por Zita Seabra a pelo médico Gentil Martins: " o aborto vai-se tornar um novo método contraceptivo", pois como diz este último " as mulheres são umas levianas e vão recorrer ao aborto por tudo e por nada", ou por outras palavras, umas " putas abortistas". Mas será que estas pessoas não têm um minímo de consciência para pensarem no que estão a dizer? O aborto, um método contraceptivo? Mas as mulheres são o quê? Digam, o que são as mulheres para usarem do aborto como um método contraceptivo? Sabem pelo menos Vossas Excelências o que é um método contraceptivo? E o que se faz com os enormes avanços no campo da contracepção e do planeamento familiar nestes últimos anos? Ou para os senhores fazer um interrupção voluntária da gravidez é um acto tão simples como tomar uma pílula, ir ao teatro, ao café ou "falar ao telemóvel"? Depois são os senhores que respeitam as mulheres a não os do Sim, respeitam-nas tanto que as atiram para o aborto clandestino às mãos de qualquer um. Porque mesmo que os senhores ganhem o aborto, infelizmente, não vai acabar, vai é continuar a rebaldaria que actualmente se vive, pois como até a minha avó, que tem 79 anos, diz " quem tem dinheiro sempre fez arranjos e safou-se e quem não tem sempre se lixou com qualquer parteira". Liberalização é o que acontece agora, que a mulher vai abortar onde quer, no tempo de gravidez que quer, e muitas vezes forçada por uma família que quer manter as aparências ou que não quer passar pela vergonha de dizer aos pais que está grávida, ou porque o namorado não o quer, ou porque este não lhe disse que o preservativo rompeu, ou porque, a coitada, tem 16 ou 17 anos e quer ir para a faculdade e não tem ninguém quue lhe tome conta de um menino. Agora Sim existe aborto livre, agora sim existe a diferença entre quem quer abortar e quem pode abortar, pois uma vão passar uns dias de férias a Espanha, ou vão às compras a Badajoz por causa do IVA, ou então desaparecem uns dias para o estrangeiro, ou vão mesmo ali ao Marquês a uma consulta ao final do dia. As outras, bem , as outras têm aquilompara o que o dinheiro delas dá.
A lei que se pede é uma lei que permite à mulher que quer abortar poder fazê-lo em condições de saúde e com o acompanhamento médico e psicológico que impõe ao acto que ela vai praticar e que por o fazer não tenha que enfrentar o banco de um tribunal e ser condenada, mesmo que seja absolvida ou condenada com pena suspensa. Quanto ao aborto depois das dez semanas, é crime como diz a lei, o aborto clandestino deve ser precavido e combatido, o planeamento familiar deve e vai continuar e a educação sexual nas escolas melhorar, deixar de ser dada por qualquer um e deve ser, também, dada em casa, onde tudo começa.
Eu queria que hoje já fosse dia 12 e que ontem o Sim tivesse vencido. Queria que tivesse vencido e que a ida às urnas tivesse sido expressiva. Que tivesse exprimido a vontade dos portugueses que quererem acabar com esta discussão. Infelizmente não foi, ainda falta uma semana, uma semana de ataques serrados e demagógicos, de mentiras e contra-mentiras, de hipocrisias.
Afinal, nunca mais é dia 11!

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