segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Dia seguinte

Digamos que ontem ouve vencidos e vencedores. Não me vou pôr a dizer que quem venceu foi a mulher, ou quem venceu foi o homem. Venceu a sociedade!

Mas mesmo assim há ilações e retirar-se.
Do lado da campanha do Não viu-se claramente que a confusão reinou. Começou-se com a pura defesa da Vida, e aí João César das Neves era um herói. Era um bom argumento, a defesa da Vida, mas foi rapidamente posto de lado. A concentração passou para a versão Light de Marcelo o "Não que é Sim", e nele se focaram tentando puxar algum eleitorado indeciso, mas acabaram por lançar ainda mais confusão. Tudo isto encetado pelo Movimento "Mãe", a Plataforma Não Obrigado. É uma das derrotadas, juntamente com Bagão Félix, Laurinda Alves, Maria José Nogueira Pinto, João Paulo Malta, e todos os que nos últimos dias tentaram lançar a confusão no eleitorado.
Do lado do Sim o destaque para a Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo SIM e para os Médicos pela Escolha. com poucos recursos fizeram a melhor campanha que podiam. Debateram, esclareceram, divulgaram, convenceram. Tiveram ontem uma vitória.
Outros que perdem são o sector radical da Igreja, que tentaram espalhar o medo entre os fiéis, que espalharam panfletos horríveis, que confundiram as populações.
Um destaque positivo para o Cardeal Patriarca que, embora pelo Não, sempre mortrou uma posição serena e objectiva nesta campanha.

Do lado político outros resultados se tiram.
Inequivocamente esta foi uma vitória para Sócrates, não por ter levado o PS para a campanha, ao contrário de Guterres, mas porque se envolveu directamente na campanha. Se o Não ganha-se, ele era o principal perdedor.
Marques Mendes, depois das declarações de Marcelo, veio marcar posição firme, não vinculou o PSD, nem o podia fazer, mas envolveu-se firmemente na campanha pelo Não. As suas declarações ontem à noite foram lúcidas. soube assumir a derrota pessoal.
Já o mesmo não posso dizer quanto ao Professor Marcelo. Adepto do show off veio lançar a confusão. Um Não que é um Sim, um sim que é um Não. Perdeu. Perdeu por duas vezes. Primeiro, porque o seu referendo o derrotou, segundo porque a sua estratégia de confusão e nada clara (e bem desconstruída pelos GATO FEDORENTO) falhou. As pessoas não se deixaram enganar e souberam bem o que vortavam. a despenalização do aborto até às dez semanas.
Os outros partidos foram sombra, o CDS-PP, através de Ribeiro e Castro, radicalizou-se. Perdeu, e não soube perder. Espera-se o regresso de Paulo Portas para os próximos dias.
O BE foi radical. Louçã, como sempre, atacava mais do que defendia as suas posições. Já o PCP veio logo cantar vitória. Vitória no referendo a que eles se opuseram. Não participaram em nenhum movimento cívico, sempre fechados na Soeiro Pereiro gomes, como sempre.

Ilações tiradas espera-se pela regulamentação, porque esta sim é a conclusão da autorização legislativa que o povo ontem atribui o Parlamento.

1 Comentários:

Blogger Лев Давидович disse...

Apesar de achar, como tu, que ainda falta trilhar um longo caminho, acredito que quem venceu este referendo, para além da abstenção com maioria absoluta, foi a mulher.

10:30  

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