quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Tradições (1)

Devo dizer que odeio o Carnaval, as meninas de cá que gostam muito de imitar o lado de lá do Atlântico , só que com menos 20, 30 graus de temperatura. Também odeio as músicas, as máscaras, etc etc. Enfim, sou um velho. Mas há tradições que eu vou apreciando, e gostando por estas alturas. Por isso vou deixando aqui umas fotos do Carnaval tradicional, no concelho de Lamego, na vila de Lazarim.

Máscaras tradicionais, feitas de troncos de árvores (imaginem o trabalhão), o enterro do Entrudo, a disputa entre as Comadres e os Compadres. Tradições que cada vez se vão vendo menos por cá!

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Sempre em pé

Alberto João Jardim (AJJ) está em plena campanha eleitoral, não para as eleições da Madeira, não contra os "traidores ignorantes" que se canditarão às próximas eleições regionais, mas contra o "Senhor Pinto de Sousa", como ele agora trata generosamente Sócrates.
Mas o senhor é cómico, juro que é. então dizia ele ontem qualquer coisa deste estilo: isto é tudo uma manobra partidária, porque não se admite que os Açores recebam mais mil milhões de euros do que a Madeira, e que a Madeira saia do grupo de zonas menos desenvolvidas para efeitos de Apoios Cominitários às Regiões".
À pois não, não se admite, não se admite que os Açores estejam em penúltimo lugar no desenvolvimento e distribuição do PIB e que a Madeira esteja em segundo, a par da média europeia. Não se admite que os Açores tenham 9 ilhas e sejam situados no meio do Atlântico, com grandes assimetrias e enormes dificuldades de deslocação entre as suas ilhas. Não se admite que os Açores não se tenham endividado até à cabeça para se desenvolverem como fez a Madeira. Realmente tudo isto não se admite. Isto cá no continente são uma cambada de salafrários, que a aliarem-se à Comissão Europeia só querem destruir a Madeira mais o seu eterno presidente.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Noitada (2)


Pelo menos acertei nos protagonistas( Helen Mirren, melhor actriz; Forest Whitaker, melhor actor) e a minha intuição para Scorsese não falhou. Se bem que Clint Eastwood não precisava de um novo óscar e já estava na altura de darem um óscar a Martin Scorsese não era necessariamente por este filme que mais o merecia, mas pronto, foi um óscar de carreira como realizador.

Mas ao considerar "Entre Inimigos" o melhor filme a Academia foi um bocado longe. O filme é básico, a ideia gasta, vale pelo progagonistas e o melhor deles , Jack Nicholson sem dúvida, nem nomeado foi.

Babel foi o grande "derrotado", e bem. O filme vale apenas pela história da pequena japonesa surda-muda ( a cena em que ela entra numa discoteca com a música a "altos berros" e nela, um silêncio profundo), as outras são básicas, e o enrredo que pretende mostrar a globalização , desculpem, sou eu, ou não percebi.

"Little Miss Sunchine" é um filme espectacular, levar o Óscar de melhor argumento original e de melhor actor secundário (Alan Arkin) foi bem ,merecido.

Não vi ainda "Dreamgirls" por isso não falo de melhor actriz, mas de novo a Academia mostra a sua aversão a actores cómicos e ao nomear pela primeira vez Eddie Murphy para um Óscar falharam ao não lho dar, nem que fosse pela carreira.

"Uma verdade inconveniente" (melhor documentário) é um prémio político, nada mais. Um cartão a Bush, um louvor a Al Gore.

Mas vamos lá cascar na Academia: continuam a não nomear comédias (os animados não contam), tem a versão a actores cómicos, celebra carreiras e não filmes em concreto ( em muitos casos), e continuam a ter os seus amuos, ao não nomearem "Apocalypto" para as principais categorias analisaram as opiniões político-religiosas de Mel Gibson e não a qualidade dos seus filmes. Apocalypto é grandioso e tem uma grande mensagem, merecia um prémio.

Prova de Vida

Uma semana ausente, sem internets (porque não queria); sem blogues, mais as suas disputas por protagonismo, as suas birras, os seus ataques mútuos, mas sempre com a actualidade a perseguir-me:
- Jardim, mais as sua manobrinhas, demite-se e recandidata-se em birra contra a Lei das Finanças Regionais que lhe retira 2% do seu Orçamento. Logo ali, no sítio que tem o segundo maior PIB do país, no sítio a quem nunca ninguém pediu contas e que gastou tudo o que quis e mais para se desenvolver (e bem), ali no sítio onde , em 1998, Guterres suportou a dívida de 183 milhões de contos. jardim demite-se, candidata-se, ganha. Escapa à má visão com que ia ficar nos próximos 2 anos ( "em tempo de vacas gordas qualquer um governa" disse ele há 5 anos) e talvez fosse afastado em 2008. Ao "Diário da Madeira" falou que se queria reconciliar com Sócrates, ao Expresso, desancou nele. Retira-se em 2011, em glória;
- o CDS-PP e o PPD-PSD continuam a ser uma nulidade política. É o falam , falam, falam e ninguém os vê a fazer nada;
- Lisboa vai que não vai, e volta a ir, a volta a não ir. Entre o enterro anunciado do actual executivo e a morte efectiva ainda vai aver algum tempo. Carmona não se toca, e Marques Mendes ajuda;
- Correia de Campos.....que dizer deste homem cheio de boas intenções que pega no relatório de uma comissão fechada em Lisboa, sem contacto com a realidade, sem conhecer as verdadeiras assimetrias regionais. Avança, recua, cada vez que abre a boca sai asneira. Sócrates interviu, ele recuou, fizeram-se acordos (?), vale o presidente da Câmara da Régua para não ir em acordos e defender os seus cidadãos, para eles não serem enviados para um hospital (Vila Real) que já está em si saturado, quanto mais receber mais gente da Régua. Nos próximos dias concretizo e dou mais exemplos;
- a acreditar no Daniel Oliveira e no Pedro Rôlo Duarte um senhor, de seu nome Castelo Branco, foi visitar uma sua amiga à prisão. Que tem? Fora de horas da visita, 4 pessoas ao mesmo tempo, direito a uma sala particular e ainda filmou e tirou fotografias. Enfim, parece que há uns que são mais iguais que outros;
- a bolsa de Lisboa continua com as suas enormes subidas (máximos históricos), os bancos com lucros cada vez maiores. Por outro lado o desemprego cresce, o poder de compra desce, cada vez mais empresas fecham. Tudo bem senhor Manuel Pinho;
- o DN vai passar de jornal de referência a novo Correio da Manhã, a bem das vendas claro.

Acho que estes exemplos chegam para provar que na semana que estive ausente deste blogue não perdi nada de especial. Sempre o bom e velho Portugal.

"Prova de Vida"

Tal como prometido cá fica o artigo de opinião de Miguel Sousa Tavares no Expresso de 17/2. É grande, mas vale a pena ser lido e relido.:

"Tenho a comunicar aos meus leitores que comi o melhor sargo da minha vida, aqui há uns dias, na Ria de Alvor. Numa fabulosa manhã de Sol derramado sob as águas quietas da Ria, onde o dinâmico empresário Aprígio Santos, presidente da Naval FC, sonha poder construir empreendimentos a perder de vista (porque, como explicou lapidarmente um autarca local, “a Natureza também tem de nos dar alguma coisa em troca”), ocorreu-me pela milésima vez que os portugueses de agora não merecem o país que receberam. Umas semanas antes, levado pela mão do Paulo C. S. e da gentil mãe, tinha jantado em Braga um inesquecível arroz de tordos. Sorte, dirão vocês! Peço desculpa: mérito, cultura geral. Estas coisas não acontecem por sorte, é preciso procurar, andar informado, saber que os sargos estão gordos e ovados entre Fevereiro e Março e que os tordos vêm comer as azeitonas na mesma época do ano.
Estava eu a comer o arroz de tordos em Braga e o Professor Cavaco a visitar a Índia e, carregado de empresários e cautelas com a comida picante, que o seu presidencial organismo não suporta. Estava eu a comer o meu sargo em Alvor e o esforçado Engenheiro Sócrates a correr na manhã de Xangai, rodeado de seguranças, empresários e preocupações. Sempre me intrigaram os que correm sem sentido, assim como aqueles que chegam a uma praia e desatam a nadar sem horizonte alcançável. Eu gosto de correr só se for atrás de uma bola e de nadar só se for em direcção a qualquer coisa. Agora, andar para ali a correr e a nadar sem perspectiva, francamente, ultrapassa-me. E preocupa-me.
Preocupa-me que o Presidente tenha apelado a que se legisle contra “o tabagismo, o álcool, a obesidade e a vida sedentária”. Preocupa-me que o PM, levado pela onda de cooperação institucional, se lembre de o escutar. Preocupa-me que eles dois viagem pela Índia e pela China levando na bagagem apenas negócios, saúde e bons hábitos. Preocupa-me um Portugal virtuosos e higiénico, à imagem do Portugal de Salazar, esse herói, agora revisitado, da nacionalidade.
Lá em baixo na Ria de Alvor a grande preocupação é uma qualquer directiva comunitária que pretende abolir da via pública, dos restaurantes e dos hábitos alimentares, essa nossa selvagem tradição do peixe gralhado em carvão. E, ao que parece, vem daí e a Câmara de Portimão está a instar os restaurantes da Ria a recolherem os fogareiros e as bancas de peixe à vista, e passarem a cozinhá-los lá dentro, escondidos de quem passa e vê, e assados, de preferência, em grelha eléctrica. A sério: a mesma Câmara que, vereação após vereação, transformou Portimão numa das mais horrendas e caóticas cidades do mundo, e se prepara para entregar a Ria de Alvor à especulação imobiliária logo que possa, está preocupada com a “má imagem” que o peixe grelhado na rua e no carvão poderá dar a essa Europa culta – cujas sábias directivas higiénicas já nos liquidaram o Queijo da Serra e agora se preparam para nos liquidar as sardinhas assadas. Isto é que é modernidade, saúde, plano tecnológico! A seguir, é só atender aos apelos do Presidente e fazer umas leizinhas contra o tabaco, o álcool, a obesidade, a vida sedentária, as pevides e tremoços que fazem mal ao colesterol, aos amendoins que podem causar cancro, as azeitonas que fazem mal à próstata, o peixe grelhado que contribui para o efeito de estufa, e eis-nos transformados num país moderno, europeu, asséptico, ascético, higiénico e vigilante dos costumes.
Mas eu sei, eu devo reconhecer que eles têm democraticamente razão. Façam por aí umas sondagens, perguntem aos portugueses na rua e eles estão todos de acordo com tudo o que lhes cheire a “modernidade”: os fumadores agradecem que os proíbem de fumar em todo o lado; os pacientes das filas de trânsito de Lisboa estão de acordo com os novos radares municipais que os vão explorar até ao tutano, nos raros locais e ocasiões em que possam circular a mais de 50 kms/h; os gordos agradecem que lhes acabem com o Queijo da Serra amanteigado e se preparem para fazer o mesmo às horríveis sardinhas assadas; os “pacientes” (extraordinária palavra!) do colesterol estão reconhecidos a quem determinou que o azeite tem de ser todo igual, de marca, inviolável e sem sabor; os sedentários suspiram por um decreto que os obrigue a correr 3 km por dia, como o Eng. Sócrates; os noctívagos estão mortinhos pelo dia em que só lhes sirvam pirolitos e sumos naturais nos bares; os caçadores nada mais desejam do que a hipótese de se curarem clinicamente desse instinto homicida que os leva a querer matar animaizinhos que voam ou correm por essa natureza fora; os doentes do futebol querem que os castiguem de cada vez que chamarem nomes à mãe do árbitro ou rogarem pragas ao presidente do outro clube. Todos, se perguntados, vão querer um país novo, livre de pecado e vício, de cheiro a sardinhas assadas ou jaquinzinhos fritos, um país assim… como Bruxelas, essa cidade empolgante. Só escapam os casinos – que esses são modernos, cheios de «glamour», «design», cultura, «sushi», «smokings», «jackpots» e «nouvelle cuisine». Os portugueses adoram que os flagelem, que os proíbam, que os controlem, que os persigam, que tomem conta deles, como nos bons velhos tempos do senhor de Santa Comba.
É por estas e por outras que eu cada vez admiro mais os espanhóis. Disseram-lhes que tinham de adoptar os horários e hábitos de vida europeus e eles continuaram com a sua sagrada sesta. Quiseram-nos proibir de fumar em todo o lado e eles não levaram a sério. Deram-lhes uma lei do aborto igual à que nós tínhamos e eles levaram-na a sério e não deixaram que o lóbi dos médicos católicos a boicota-se. Ousaram sugerir a proibição dos touros de morte e eles responderam “nem se atrevam!” E, com tanta resistência pacífica e cívica, a Espanha é hoje um dos mais modernos e civilizados países do Mundo. Continuando fiel à sua identidade e orgulhosa dela. Um país que não respeita as suas tradições não presta. Um país que não respeita os seus hábitos e a sua cultura, não existe: é assim uma espécie de alforreca, sem cor, nem cheiro, nem identidade. Uma Maria vai com todos.
No meu íntimo, talvez eu até tenha inveja do Presidente, que gosta de nadar sem horizonte, ou do Primeiro-ministro, que gosta de correr sem objectivo: vão ambos morrer cheios de saúde. Enquanto que eu vou arrastando esta condenada carcaça, com uma única certeza: é que, por enquanto, estou vivo. Enquanto me deixarem."

domingo, fevereiro 25, 2007

Noitada

Bem, de volta, e logo em dia de Noitada. Ficam aqui as minhas apostas para as 4 principais categorias, se bem que não vi todos os filmes nomeados, uns porque não chegaram cá, outros porque não me interessaram, mas , fiquem descançados, vi, e bem, os principais nomeados.

Melhor Filme




Intenso, arrebatador, brutal, mostra o absurdo da Guerra e a lealdade dos soldados ao seu país: "até ao último homem". "Letters of Iwo Jima" é um filme genial de Clint Eastwood que suplanta em muito o seu antecessor, "o lado americano", "As bandeiras dos nossos pais". Dedica muito mais tempo à batalha em si, mas também à vida das personagens, demonstrando que por detrás da guerra não está apenas a vontade do líder, mas também as histórias dos soldados que defendem a sua pátria. Pensar que foi filmado em apenas 5 semanas mostra ainda mais o grande filme que é.


Melhor Realizador



Se bem que desconfio que é desta que a Academia vai dar o prémio a Scorsese, se é que ekle alguma vez o mereceu pelos filmes que foi nomeado, a minha escolha é de novo Clint Eastwood. Desculpem, sou um fã. Desde os tempos dos bons e velhos Westerns. Clint Eastwood mostrou a todos que é um realizador brilhante e que sabe muito bem o que quer nos seus filmes e atinge-o. Faz exactamente o que quer, e vê-se que há uma linha que ele não quer atravessar, e então vai até lá, e para. Se por algum motivo Cartas de Iwo Jima é o filme que é, deve-o muito a Eastwood.

Melhor Actriz

Não tivessem aparecido Clint Eastwood e as suas "Cartas de Iwo Jima" há duas semanas nos cinemas portuguese e "The Quenn" seria, para mim, o melhor filme de 2006. Continua a ser um grande filme que congrega a exigência de ser parte da realeza com a dor humana de se perder alguém. "Deixem-me consolar os meus netos que perderama sua mãe", diz a rainha a certa altura. Helen Mirren foi a escolha perfeita para a personagem de Rainha Isabel segunda. Soube interpretar na perfeição o papel da estadista que é a Rainha de Inglaterra e atribui-lhe uma figura humana. É sem dúvida a que mais merece o galardão de melhor actriz, se ainda não viram o filme vejam, se o viram não poderão discordar.


Melhor Actor

Gigante, imponente, desconcertante. De todos os nomeados "O Último Rei da Escócia" foi o último filme que vi e impressionou-me bastante. Não tem intenções de fazer qualquer julgamento ético sobre os massacres no Uganda ou mesmo sobre a figura de Idi Amim, mas sim contar uma história sobre o relacionamento do ditador com o seu médico, um jovem ideologista. Forest Whitaker interpreta o papel na perfeição, mostrando como um homem louco consegue traçar o destino de milhares de vidas, e condená-las à morte.

sábado, fevereiro 17, 2007

Decadência



Pergunta o caro Leitor(a) o que é isto? Se fosse um turista perguntava, onde é que isto está?
Isto meus caros é o Cais das Colunas, marca importante e sinal único da Cidade de Lisboa no mundo, ligação entre Lisboa e o Tejo.


Desde há 10 que está substituido por estaleiros das obras do metro, e desde há 10 anos que os turistas nacionais e estrangeiros vão ao Terreiro do Paço para o ver e deparam-se com um amontoado de obras que desfigura um dos principais simbolos da Baixa Pombalina.
Diz o Expresso que o Metro e o IPPAR o vão reconstruir até 2008. A confiar, talvez daqui a 10 anos o voltaremos a ver.

Só uma nota para o excelente texto (como sempre) do Miguel Sousa Tavares no EXPRESSO de hoje. Quando arranjar tempo passo-o para aqui.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

A abrir o fim-de-semana

Um grande, grande filme


Intenso, grandioso,espectacular, chocante (por vezes), equilibrado quanto a tomar partido, com um óptimo argumento, muito bem realizado...... enfim, tudo isto e muito muito mais fazem de "Cartas de Iwo Jima", um dos grandes filmes deste ano (e ainda está a começar!).

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

É um Governo socialista concerteza

Depois do impulso empregador e formador revelado no ano passado ao contratar milhares de estagiários, com a melhor das formações, o nosso querido governo prepara-se para os dispensar....a todos!

Sim, mais de 3000 estagiários vão assim de repente para o desemprego. Aliás, o Governo proibiu a contratação de qualquer um que seja, e estes pobres desgraçados vão todos para o fundo de desemprego....sem direito a qualquer subsídio!

Assim age o nosso querido governo socialista. Fomenta o emprego qualificado. Combate o desemprego. Dá incentivos ao emprego jovem e com formação. E tem óbvias políticas sociais e de apoio aos desempregados!

Parlamento?

Mais uma vez o Parlamento Europeu mostrou a sua subserviência aos Governos que nomeiam os seus deputados (como candidatos), ou melhor, ao Conselho.
Ilibam Durão e Portas, como se não fosse nos seus governos que se registaram as maiores passagens e que há os maiores indicios de passagem de vôos da CIA que transportavam ilegalmente prisioneiros suspeitos de terrorismo.
Por cá a Procuradoria-Geral vai propôr-se a investigar, mas alguém espera algum resultado concreto?
Já aqui o disse, mais uma vez vamos ter que esperar que os democratas constituam uma comissão de inquérito no Senado para se descobrir a verdade. E assim será sempre, pelo menos até o PE se tornar num verdadeiro Parlamento.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Falar...

Segundo o DN de hoje o senhor bastonário da OA ( mas quando é que extinguem a ordem?) e o senhor Secretário de Estado da Justiça ( no âmbito da reforma do CEJ) estão a repensar o acesso às profissões de advogado e juiz e restringilas a quem tem o grau de mestre. Ora isso cria 3 efeitos nefastos e que devem afastar tal proposta:
1º - ao exigir o grau de mestre estas 2 profissões passam a ser profissões restringidas a elites, senão vejamos, actualmente existem numerus clausus para o acesso ao grau de mestre nas universidades, além da exigência de uma média fibal de licenciatura de 14 valores para o acesso a tal grau, o que vai afastar de tais profissões um número imenso de pessoas, especialmente das melhores universidades (clássica de Lisboa, Coimbra e Católica) onde é mais dificil acabar com tais médias e muito mais difícil tirar o grau de mestre;
2º com a abertura à carreira de magistrado a outras profissões os licenciados em direito ficam claramente prejudicados, pois aparece a opção de ou ter o grau de mestre ou 5 anos de experiência na área de licenciatura (no caso do direito na advocacia), ou seja, os licenciados em Direito terão que ser sempre mestres, pois para acederem a tal profissão precisam de o ser e os outros precisam de ser apenas mestres;
3º estas profissõe passam a ter entraves grandes que são duvidosa constitucionalidade, pois restringem o acesso à profissão a um numero clausus de mestrandos escolhidos pelas faculdades.

A justificação desta medida é gravemente insuficiente e só demonstra a falta de comunicação entre os representantes das profissões e as universidades, pois se ouve-se tal comunicação saberiam perfeitamente que as universidades estão a planear um ano complementar ( correspondente ao 1º ano de mestrado e sem restrições no acesso) para completar a licenciatura e permitir uma maior formação para quem quer ser advogado e magistrado.
Se se fala-se mais neste país e não andassem todos no seu pequeno mundo, talvez tivessemos mais sucesso e menos erros como este.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Dia seguinte

Digamos que ontem ouve vencidos e vencedores. Não me vou pôr a dizer que quem venceu foi a mulher, ou quem venceu foi o homem. Venceu a sociedade!

Mas mesmo assim há ilações e retirar-se.
Do lado da campanha do Não viu-se claramente que a confusão reinou. Começou-se com a pura defesa da Vida, e aí João César das Neves era um herói. Era um bom argumento, a defesa da Vida, mas foi rapidamente posto de lado. A concentração passou para a versão Light de Marcelo o "Não que é Sim", e nele se focaram tentando puxar algum eleitorado indeciso, mas acabaram por lançar ainda mais confusão. Tudo isto encetado pelo Movimento "Mãe", a Plataforma Não Obrigado. É uma das derrotadas, juntamente com Bagão Félix, Laurinda Alves, Maria José Nogueira Pinto, João Paulo Malta, e todos os que nos últimos dias tentaram lançar a confusão no eleitorado.
Do lado do Sim o destaque para a Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo SIM e para os Médicos pela Escolha. com poucos recursos fizeram a melhor campanha que podiam. Debateram, esclareceram, divulgaram, convenceram. Tiveram ontem uma vitória.
Outros que perdem são o sector radical da Igreja, que tentaram espalhar o medo entre os fiéis, que espalharam panfletos horríveis, que confundiram as populações.
Um destaque positivo para o Cardeal Patriarca que, embora pelo Não, sempre mortrou uma posição serena e objectiva nesta campanha.

Do lado político outros resultados se tiram.
Inequivocamente esta foi uma vitória para Sócrates, não por ter levado o PS para a campanha, ao contrário de Guterres, mas porque se envolveu directamente na campanha. Se o Não ganha-se, ele era o principal perdedor.
Marques Mendes, depois das declarações de Marcelo, veio marcar posição firme, não vinculou o PSD, nem o podia fazer, mas envolveu-se firmemente na campanha pelo Não. As suas declarações ontem à noite foram lúcidas. soube assumir a derrota pessoal.
Já o mesmo não posso dizer quanto ao Professor Marcelo. Adepto do show off veio lançar a confusão. Um Não que é um Sim, um sim que é um Não. Perdeu. Perdeu por duas vezes. Primeiro, porque o seu referendo o derrotou, segundo porque a sua estratégia de confusão e nada clara (e bem desconstruída pelos GATO FEDORENTO) falhou. As pessoas não se deixaram enganar e souberam bem o que vortavam. a despenalização do aborto até às dez semanas.
Os outros partidos foram sombra, o CDS-PP, através de Ribeiro e Castro, radicalizou-se. Perdeu, e não soube perder. Espera-se o regresso de Paulo Portas para os próximos dias.
O BE foi radical. Louçã, como sempre, atacava mais do que defendia as suas posições. Já o PCP veio logo cantar vitória. Vitória no referendo a que eles se opuseram. Não participaram em nenhum movimento cívico, sempre fechados na Soeiro Pereiro gomes, como sempre.

Ilações tiradas espera-se pela regulamentação, porque esta sim é a conclusão da autorização legislativa que o povo ontem atribui o Parlamento.

Público

Adoro ler jornais e sou muito conservador quanto a isso. Gosto de os ler em papel e por isso não embarco nessas derivas de ler jornais on-line.

Por isso quando sei que um jornal vai ser lançado ou reformulado corro para ver como ficou, foi assim com o novo DN, o SOL, a Visão, o Expresso. Tirando o SOL fiquei agradado com a mudanças de todos, até porque uma mudança não se faz apenas por se mudar o grafismo, as cores, o formato. Faz-se pela mudança dos conteúdos, pela forma como se tratam as notícias, pelo jornalismo de investigação, pela opinião.

O mesmo se passou com o novo Público. Gostei do novo aspecto, mas ser a cores ou não, não me interessa muito. O segundo Caderno, a P2 parece-me uma óptima iniciativa, mas puve um deterimento no tratamento de outros temas, como a economia, por exemplo (embora hoje seja segunda). A opinião foi reformulada, uns entraram, outros saíram, outros mudaram de dia, mas o "pingue-pongue" na última página entre o Rui Tavares e a Helena Matos agrada-me.

Mas nem só a gráfica muda um jornal, e o Público continua com muitos dos seus velhos vícios. O tratamento que dão a algumas notícias, o jornalismo especulativo, não mudou o espírito, não mudou a filosofia, não mudou o Director. José Manuel Fernandes é o responsável pela perda de leitores nos últimos anos, pelas opções editoriais que toma, mas também pelas ideias que incumbe aos jornais.

Mudou a pele, o interior continua o mesmo. Pelo menos por enquanto.

Ah, uma visão do exterior sobre uma grande capa, a segunda seguida:


Perceber...

O que mais ouço hoje é a frase: "o referendo não é vinculativo, logo o PR não deve promulgar a lei."
Isto faz-me pensar, porque por esta ordem de raciocínio a Lei do Referendo tem que ser alterada e passar a ter a seguinte disposição:
"Considera-se que o Não ganha nas seguintes situações:
- o Não ganhe e o resultado seja vinculativo;
- o Não ganhe e o resultado não seja vinculativo;
- o Sim ganhe e o resultado não seja vinculativo. "

Isto Sim, é a democracia para algumas pessoas.

domingo, fevereiro 11, 2007

Descanço

Finalmente foi dia 11. Finalmente acabou!

Antenas

As emissões até agora foram bem previsiveis e fracas:
- na TVI, peixeirada. Não fosse a Constança Cunha e Sá e o Miguel Sousa Tavares e aquilo era de bradar aos céus;
- a SIC falhou de novo ao convidar demasiadas pessoas. Ficaram ideias interrompidas com os directos, pessoas que mal falaram e demasiado protagonismo para os Ministros;
- a RTP centrou demasiado no Professor e no António Vitorino, foi mais do mesmo.

Nas sondagens a SIC esteve muito melhor, tanto no Sim ou Não, como também na abstenção.
A rapidez no apuramento dos votos fez com que todas estivessem a encher chouriços. E a TVI até já acabou.

Correia de Campos anda a fazer a maratona, esteve na SIC, está na RTP. Só não vai à TVI porque não pode, ou não o quiseram.

Fica apenas uma questão: onde anda Ana Lourenço?

Conseguimos!

RESULTADOS:
Total do País
Freguesias apuradas: 4260Freguesias por apurar:0
Inscritos -8832628
Votantes - 3851613 - 43.61%
Em Branco - 48185 - 1.25%
Nulos - 26297- 0.68%

Opções
Votos: %

Sim - 2238053 -59.25%

Não - 1539078- 40.75%

Percentagem calculada sobre votos validamente expressos (brancos e nulos excluídos)
FONTE: STAPE


Ver o Mapa do País aqui!

Não perceber a mensagem

Para quem acompanhou as declarações da Plataforma Não Obrigado pensa que está noutro país.
Ainda não perceberam que o que esteve em causa não foi a liberalização, não perceberam que mais 1 milhão de portugueses foi votar e que mais de 1 milhão(mais ou menos o que faltava para a vinculação) esteve impedido de votar, porque são emigrantes.
Afirmam que o referendo nãoé vinculativo, então e há oito anos foi? Dizem que venceu a cultura da morte (Blogue do Não).
Os portugueses falaram, é pena que eles não tivessem percebido a mensagem.

Sócrates

Falou muito bem, foi ponderado e directo. Explicou bem que se vai regulamentar, e o que se regulamenta não se liberaliza.
Explicou o que vem a seguir. E o que vem a seguir já tinha sido explicado, é pena que muitos não tenham percebido.

PCP

Jerónimo erra ao referir-se à vitória nas áreas de influência do PCP. Isto foi tudo menos uma vitória partidária.
Espero que Sócrates não vá pelo mesmo caminho...

antecipar-me ao Duarte

Lá vai 33% da agenda do BE.

Rapidez

Pelo andar das coisas isto hoje vai acabar cedo.

Marcelo

...recomenda uma interpretação serena dos resultados. Mas o que é uma interpretaçâo serena? Não é despenalizar?Entretanto diz um médico na SIC: "o 11 de fevereiro não é o 25 de Abril das mulheres". Qual a relação não percebo.

Não se devia já gritar vitória, é errado!

Fight Night

Odete Santos e Maria José Nogueira Pinto na SIC. Vai ser lindo.

Abstenções

Disse-se agora na SIC-N que a abstenção é sempre inflacionada em 6% a 7% devido a eleitores que deviam ter sido limpos dos caderdos eleitorais e não foram.

Mentem

A confirmar-se a abstenção projectada, entre 56% e 60% apenas se confirmam 2 coisas.
A primeira é que os portugueses continuam a marimbar-se para o exercício democrático.
A segunda é que é muito mais fácil votar ao telefone do que deslocarmo-nos até às urnas de voto. Mentir ao telefone, e parecer bem ao dizer que se vai votar, é muito mais fácil do que exercer o seu dever de cidadania.

(publicado também no Pelo-Sim)

Vote vote

Posso dizer que já fui votar? Quer dizer, só tou a dizer que fui votar, não é preciso multarem-me por isso. O STAPE diz que até agora apenas 11,57% da população foi votar.
Vá lá, não está assim tão mau tempo. Eu até fui a pé e tudo.
VOTE, VOTE VOTE VOTE VOTE VOTE VOTE! E vote bem ah!

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sábado, fevereiro 10, 2007

Temas de Reflexão



Hoje é dia de reflexão. Por isso a maioria dos portugueses deve estar na posição acima ilustrada. É sem dúvida o dia mais estúpido do ano. Pensar que as pessoas nesta país não têm mais que fazer e privá-las da informção relevante dos fechos de campanha é no minimo uma ideia parva.
Ficam os temas muitíssimo interessantes: a vida do Cristiano Ronaldo, no DN; a saúde no JN; o Apito Dourado no CM e a Bragaparques no Público, e se abrirem os jornais o caso fica ainda pior, os temas mais interessantes são lá abordados, ou seja, fala-se de tudo menos daquilo que as pessoas querem saber: como foi o último dia de campanha.

A mim apetece-me falar das Horas (neste momento o leitor vai-se embora e eu fico a escrever sozinho). Sim, das Horas. Eu sou um "maníaco" das horas, sempre a olhar para o relógio, a morrer se não tenho relógio, sempre a pensar em novos relógios para comprar.
Para verem como sou um "maniacozinho" com as horas estou sempre a horas em todo o lugar, melhor, chego sempre antes. E depois fico à espera, sempre à espera, porque pontualidade por cá é coisa que não existe. Mas ainda pior, detesto desperdiçar o meu tempo, a ponto de se estiver uma fila de 10 pessoas em qualquer sítio, eu vou-me embora, logo. Mas pode piorar: como gosto de estar sempre a horas em todo o lado saio sempre com imenso tempo de antecedência, honestamente, não gosto de correr riscos, sabe-se lá o que pode acontecer pelo caminho e depois chego atrasado, e depois, fico à espera.
Por isto não compreendo as pessoas que fazem tudo no limite. As que têm que estar num lugar as 10h e saiem de casa as 9,50h, para percorrerem 10 km. Não percebo, como têm tempo. Pois, não têm, e como não têm chegam atrasados e deixam pessoas, como eu, eternamente à espera. E digo-o: detesto pessoas que me deixam à espera, detesto que pessoas vão sair comigo e fazem-me chegar atrasado, detesto pessoas que acham chique chegar atrasado, não é, é uma falta de educação, pura e simplesmente. Pois para mim estas pessoas deviam ser multadas, numa espécie de polícia das horas, ou um homenzinho da EMEL...

Ah, esqueci-me de estar a reflectir sobre o referendo (posso dizer referendo, não posso?). Desculpem lá este desvario, vou voltar para a reflexão.

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Tachinho po jotinha

Dizia o EXPRESSO de ontem que a Câmara Municipal de Lisboa tem cerca de vinte "jotinhas" do PSD a estagiar nos seus gabinetes.
Esta Câmara de Lisboa, sempre a contribuir para a descida da taxa de desemprego!

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sexta-feira, fevereiro 09, 2007

E porquê Votar SIM!

Votamos SIM, porque pensamos que a penalização do aborto até às dez semanas deve acabar , pois é um problema de "pena" que se discute. Não há crime sem pena, e de penas trata o Código Penal, não apenas de crimes. "Não há crime sem pena", ensina-se nas faculdades de Direito e estas propostas, as do "Não-light", que se têm apresentado nos últimas são em tudo inviáveis.

Votamos SIM, por uma questão de saúde pública. Pergunta-se: " se o Não vencer os abortos vão acabar?" Não. Bem gostariamos que fosse assim, aí, todos votavamos Não. Mas como o aborto não vai acabar, o que se prefere? Que continue a ser um crime (e mesmo sem pena é crime) e a mulher seja arrastada para clínicas, parteiras, vãos de escada, sem informação qualquer e sem qualquer acompanhamento ou protecção. Para situações sem qualquer tipo de higiene médico-sanitária, onde muitas vezes há complicações irremediáveis que levam a profundos choques na mulher, psicológicos e físicos, complicações que por vezes as colocam à porta da morte, ou as tornam infertéis. Preferimos isto, ou preferimos que a mulher, que decide em consciência abortar até às dez semanas (e em quem confiamos plenamente), seja acompanhada em segurança, por médicos profissionais, em condições de higiene e saúde, e às quais é fornecida um acompanhamento médico-psicológico que, mostra a experiência internacional, muitas vezes a leva a não abortar e a seguir em frente com a sua gravidez.Votamos Sim, porque queremos acabar com a liberalização que se vive actualmente na IVG. Sim, porque actualmente não existe, quaisquer regras para se abortar, o aborto faz-se, cá, em qualquer altura da gravidez. Isto Sim é a liberalização do aborto, não o que se vai referendar agora.

Votamos SIM, porque protegemos a Vida, uma vida digna para a criança que vai nascer, uma vida digna para a mulher, e o casal, que decide ter um filho porque o quer amar. Não uma vida indesejada, que leva ao abandono de bebés à nascença num qualquer beco. Votamos Sim pelo direito da criança a ser amada e a ter uma vida condigna, com o amor e desejo dos seus pais.

Votamos SIM, porque o actual Código Penal empurra as mulheres para o aborto clandestino, porque as sujeita a julgamentos humilhantes, a exames genitais para se provar se abortou ou não, ao vexame de julgamentos públicos, à tortura de passar por um julgamento depois de ter passado por um momento que já é em si demasiado traumático e que envolve um estado emocional extremo. Convém dizer que a maior parte das mulheres julgadas fizeram abortos antes das 10 semanas. "Não julgues, e não será Julgado".

Votamos SIM, porque queremos acabar com a hipocrisia, que o "olhar para o lado" e fingir que o aborto clandestino não existe, que o aborto Não existe sequer. Ele existe, ele deve ser combatido. E isso não envolve apenas a despenalização, mas também o planeamento familiar, os métodos contraceptivos, a educação sexual (capaz) nas escolas e em família. O aborto não se vai tornar num método contraceptivo em si, não queiram passar a imagem que a mulher é uma "leviana" que aborta por um "estado de alma". Não é, é um ser responsável, e no último caso, o Estado está lá, para a aconselhar no melhor caminho a tomar.

Votamos SIM, porque ao despenalizar o aborto o Estado fica responsável pela saúde fisica e psicológica da mulher. E sendo assim a mulher fica mais protegida. Se não se pratica nenhuma ilicitude, se a prática for totalmente autorizada até às 10 semanas incumbe às instituições estatais zelar pelos melhores interesses da mulher e orientá-la, se ela precisar. Se não cumpre as suas obrigações criminosa não é a mulher, é antes o Estado, incumpridor.

Por tudo isto, e mais se poderia dizer, Votamos SIM no referendo!

(Publicado também no Pelo Sim)

É a vida....

Independentemente das sondagens que hoje se publicam, que são para todos os gostos, 98 ensinou-nos algo: até ao lavar dos cestos é vindima.
É por isso mesmo que é preciso apelar ao voto, é preciso ir votar no domingo, nem que seja para acabar com esta discussão de uma vez por todas.
Privados que estamos de fazer campanha até às 20h de Domingo há que ser pragmático. Pretende-se , acima de tudo, que o povo português mostre que é capaz de executar um simples exercício de cidadania.
O referendo é o instituto máximo de democracia, é a voz directa do povo que se manifesta, num tema que se revela de interesse nacional. A Constiuição e lei do referendo prevêm a sua vinculatividade a partir dos 50% de participação (embora como já explicamos retire o exercício de voto a alguns, somando-os aos abstencionistas), e ao fixar tal limite, pretende que o resultado de um referendo vincule tudo e todos, inclusive o próprio legislador, que ficará obrigado a legislar, ou a abster-se de tal acto. Assim sendo, pede-se que seja o cidadão comum o executor priveligiado de uma alteração legislativa.
Votar no domingo é um exercício, não só de cidadania (vote-se Sim ou Não), mas também uma prova de responsabilidade democrática. Provar ao legislador que não só se interessa pelo tema como quer resolver uma questão fracturante na sociedade portuguesa.
No Domingo, Vote Sim ou Vote Não, mas Vote!

(publicado também no Pelo Sim!)

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Conversas à lareira

"(...) Não espero que Marcelo saiba o que é um aborto clandestino, ou o que sofrem as mulheres pobres que espetam agulhas ou praticam o aborto de vão de escada. Naquele mundo admirável e burguês onde vive uma existência doce o professor Marcelo, essas coisas simplesmente bnão são faladas, questão de educação. A hemorragia, o sangue, a pele furada, o útero escavado, a torpe operação clandestina, trabalho de mulheres sobre mulheres ao qual o professor é estranho e continuará, por razão fisiológica civilizacional, estranho,são coisas feias de mais. Os pobres são outro país, os ignorantes também. Quando era um político no activo, o professor saía muito á rua a cativar o voto dos pobres. Na verdade, os pobres em tempo eleitoral são como as mulheres que abortam, uma abstracção, um, digamos, «estado de alma». Eu nunca conheci uma mulher que abortasse por «estado de alma» ou «pequena depressão» ou por ter decidido «mudar de casa» (a minha razão favorita, das enunciadas por Marcelo). Nunca conheci, não creio vir a conhecer mas, não sei com que mulheres se dá o professor, não certamente as mulheres com quem eu me dou, que são assim tão tolinhas e aloucadas como ele insiste em retratarnos com picardia. Não abortam como quem muda a cor do cabelo. Onde viu o senhor tal coisa? Talvez no mundo da burguesia, com o seu discreto encanto, as mulheres consigam abortar quando mudam de casa ou quando estão com uma depressãozinha, no mundo real das mulheres que trabalham e sofrem e não controlam a sua vida, e onde um aborto em condições médicas custa uma fortunas nas clínicas privadas, posso garantir-lhe que ninguém aborta por «estado de alma», ninguém raspa o útero (desculpe a crueza), ninguém tem hemorragias e ninguém de deixa mutilar por «estado de alma». Se nãpo conhesse o professor Marcelo achava que ele estava a brincar com um assunto muito sério, com aquela graça que o caracteriza. Sei que não está, o que não o impede de usar o aborto e a descriminalização como uma plataforma de marketing político e auto-promoção, e de arma de arremesso contra o PS. Certos vícios não se perdem e , debaixo daquele ar de pássaro fugaz, rapidíssimo, o professor é uma águia. É um animal político da categoria dos predadores (...)"
Clara Ferreira Alves - Revista ÚNICA

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Novas ideias, novos Públicos

E por falar em modernices, ó pó Novo Público!
Tá giro , não está?
Não sei porquê, mas não gosto muito deste blogger. Modernices. Que é que se há-de fazer.

Cavaquismos- ou uma espécie de cooperação insttitucional

O senhor Presidente é muito esperto, leia-se : sabe-a toda. Senão vejamos. Quanto à lei da Finanças Regionais, mandou-a para o TC, mas questionou-se apenas sobre a questão menos controversa, e não sobre a violação dos Estatutos das Regiões.
Depois de o TC ter declarado a lei não insconstitucional, vai que demora uma carrada de tempo para promulgar, dando aquele conpasso de espera para ver o que dizem.
Finalmente aprova, mas não aprova simplesmente, aprova com recomendações, uma espécie de decisão da AdC. Aprova, mas diz, talvez haja ilegalidades por violação dos Estatutos das Regiões Autónomas. Sabido, como sempre, não compra guerra, alerta simplesmente os outros para a comprarem por ele, uma espécie de "eu cá mantenho a minha cooperação institucional, o Senhor Jardim , se quiser guerra, que a faça ele, que eu não tenho nada a ver."
Muito esperto o nosso Presidente!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Uma espécie de liberal, conservador, socialista, humanitário, católico, mas de centro-esquerda

O título resume um pouco da confusão que vai nesta cabeça: católico, de centro-esquerda (preferivelmente), pró-mercado (liberal por vezes), conservador (às vezes), socialista ( não no sentido de ser do PS, mas no sentido de defender o Estado Social). Confuso? Não, nem por isso, um apartidário convicto e um apreciador de políticas. Claro que todas estas políticas têm falhas, mas têm também grandes virtudes.
Mas vem isto a propósito de quê?
Vem a propósito dos meios de comunicação social e dos seus donos. Digo donos para designar não quem os possui de facto, mas quem manda realmente neles.
Um meio de comunicação deve ser objectivo, claro,actualizado e sobre tudo independente. Independente não no termo das ideias que manifesta, mas em relação a controlo das notícias que publica e em relação a quem o financia. Temos vários exemplos como os subsídios do Sr. Rui Rio e do Sr. Menezes aos jornais regionais a quem davam subsídios e que estavam obrigados a não falar mal no sr. Presidente da Câmara , nem do seu executivo, nem das suas políticas, sob pena de perderem os seus subsídios. Já nem falo do Caso do Sr. Jardim e do Jornal da Madeira e do Diabo.
O mesmo raciocínio que aplica à RTP. Dirão, "mas a RTP é independente". Tem dias, digo eu.
A justificação eterna para a RTP continuar nas mãos do Estado é o serviço público. Mas pergunto eu "que serviço público?". Os tempos de antena que ninguém vê? A informação? a Praça da Alegria? Os jogos de futebol? Os concursos? Os filmes? As séries? As telenovelas? A missa? etc etc etc. Mas não fazem também isso os privados?
Aplica-se o mesmo às rádios públicas e à LUSA. Que fazem elas quue os privados não façam? Pois , nada.
É por isso que há muito tempo que defendo que a RTP e todos os órgãos de comunicação social do Estado sejam privatizados, e mesmo que a ERC , órgão parasitário por excelência, seja extinta.
Por maior transparência e por maior rigor no tratamento das notícias. Por maior independência e objectividade. O resto? O mercado sabe bem filtrar, e no fim de contas existem os tribunais, não precisamos de órgãos políticos para controlarem a C.S.
Quanto ao serviço público (se ele existe) bem pode haver uma exigência legal para o seu cumprimento.
E já nem falo da concorrência desleal da RTP em relação aos outros operadores, pois além de receber subsídios, encapotados de indemnizações pelo encargo de serviço público, ainda tem as receitas de publicidade.
Já está na altura de deixar o Mercado funcionar.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Desculpem lá

Mas alguém é capaz de me explicar que "destacados serviços prestados ao país" foram esses?
É que se calhar eu também já fiz algum e ninguém disse ao Sr. Presidente para ele me condecorar.

A Curva Descendente

Eu bem disse que ele não aguentava muito sem isto. O Duarte, do Madrugadas (sim, porque eu contínuo a recusar-me a escrever aquela coisa) está de volta num blogue com um nome sui generis como sempre. A Curva Descendente, a crecer aqui.

Espaço meu , espaço meu

Da última vez que olhei ali pró "about me" ali à direita ainda estava lá o meu nome apenas e sendo assim posso escrever o que quiser sem vincular mais ninguém. Então cá vai. Desculpem , mas é grande.
Para a minha pessoa é de uma saloiice incrível e um acto de má-fé desmezurável o que algumas pessoas do lado do Não ao referendo estão a fazer nesta campanha.
Começo pelo argumento da "não pena" para a mulher que aborta que é das coisas mais hipócritas que tenho ouvido neste referendo. Eu devo ser muito estúpido de certeza, mas acha a minha pessoa que quem vota Não neste referendo quer que o aborto continue a ser um crime. Isso e mais nada. Quer que quem aborta vá para a cadeia , porque como eles dizem um aborto é um assassínio, e se é um assassínio a mulher não tem mais nada do que cumprir pena de cadeia por isso. Mas o Não Light (para usar a expressão do MRS) não fala assim, o Não light quer a mulheres em tribunal para serem absolvidas, o Não-light quer proteger a vida ultra-ulterina contra aqueles assassinos que votam Sim, mas ao mesmo tempo são muito humanos, e como são muito humanos, não querem ver as mulheres na cadeia. Ainda ontem me dizia o meu pai que há 8 anos diziam o mesmo, que depois do referendo iam apresentar uma proposta para retirar a pena às mulheres. Viu-se.
Aliás o objectivo é simples: pura e simplesmente enganar o eleitorado que está na dúvida se a pergunta defende a despenalização ou a liberalização total ( como eles dizem) e levá-los a votar Não porque não querem ver as mulheres na cadeia.
Ora a "liberalização" leva-me para o nosso segundo ponto. "Liberalizar", diz o dicionário da língua portuguesa, quer dizer " dar com liberdade, prodigalizar". Ora se o aborto fosse liberalizado podia-se fazer sem qualquer entrave, uma espécie de " hoje não há cinema por isso vou abortar", sem qualquer acompanhamento médico, sem qualquer apoio psicológico, etc etc etc. Pois bem, não quereriam vossas excelências que tivesse tudo na pergunta, pois não? Aliás diz o art. 115º da constituição que a pergunta do referendo de ve ser objectiva, clara e precisa que é o que esta é. Senão vejamos: estabelece a despenalização da IVG; estabelece que deve ser até às 10 semanas, fruto do acordo entre o "centrão" e medicamente aconselhado; por opção da mulher, pois deve ser esta a decidir por sua vontade e não por vontade da família ou por vontade do pai; e , claramente, num estabelecimento de saúde legalmente autorizado, onde mais? Pronto, é isto que está em jogo, nada mais.
Outro ponto é a campanha do " as senhoras do Não é que apoiaram durante estes anos todos as mulheres e levaram-nas a não abortar e a ter os filhos com qualidade e dignidade ou então a da-los para adopção, enquanto os do Sim( esses filhos da p...) andaram a armar barraca em frente aos tribunais". Pois, que lindo. então o que é que faz a Associação para o Planeamento Familiar, maior instituição nacional no apoiom à mulher grávida? O que faz a equipa do Dr. Albino Aroso no hospital de St. antónio no Porto que revolucionou o planeamento familiar em Portugal e levou a que Portugal estive-se nos países com menor taxa de mortalidade infantil. O que fazem inúmeras associações de mulheres por este país que apoiam a mulher grávida, que prestam voluntariado nas maternidades e em IPSS. Será que votam todos Não? Dúvido, por isso não queiram ficar com o papel de bonzinhos só para vocês.
Depois vem o mais bonito argumento desta campanha, defendido e divulgado por Zita Seabra a pelo médico Gentil Martins: " o aborto vai-se tornar um novo método contraceptivo", pois como diz este último " as mulheres são umas levianas e vão recorrer ao aborto por tudo e por nada", ou por outras palavras, umas " putas abortistas". Mas será que estas pessoas não têm um minímo de consciência para pensarem no que estão a dizer? O aborto, um método contraceptivo? Mas as mulheres são o quê? Digam, o que são as mulheres para usarem do aborto como um método contraceptivo? Sabem pelo menos Vossas Excelências o que é um método contraceptivo? E o que se faz com os enormes avanços no campo da contracepção e do planeamento familiar nestes últimos anos? Ou para os senhores fazer um interrupção voluntária da gravidez é um acto tão simples como tomar uma pílula, ir ao teatro, ao café ou "falar ao telemóvel"? Depois são os senhores que respeitam as mulheres a não os do Sim, respeitam-nas tanto que as atiram para o aborto clandestino às mãos de qualquer um. Porque mesmo que os senhores ganhem o aborto, infelizmente, não vai acabar, vai é continuar a rebaldaria que actualmente se vive, pois como até a minha avó, que tem 79 anos, diz " quem tem dinheiro sempre fez arranjos e safou-se e quem não tem sempre se lixou com qualquer parteira". Liberalização é o que acontece agora, que a mulher vai abortar onde quer, no tempo de gravidez que quer, e muitas vezes forçada por uma família que quer manter as aparências ou que não quer passar pela vergonha de dizer aos pais que está grávida, ou porque o namorado não o quer, ou porque este não lhe disse que o preservativo rompeu, ou porque, a coitada, tem 16 ou 17 anos e quer ir para a faculdade e não tem ninguém quue lhe tome conta de um menino. Agora Sim existe aborto livre, agora sim existe a diferença entre quem quer abortar e quem pode abortar, pois uma vão passar uns dias de férias a Espanha, ou vão às compras a Badajoz por causa do IVA, ou então desaparecem uns dias para o estrangeiro, ou vão mesmo ali ao Marquês a uma consulta ao final do dia. As outras, bem , as outras têm aquilompara o que o dinheiro delas dá.
A lei que se pede é uma lei que permite à mulher que quer abortar poder fazê-lo em condições de saúde e com o acompanhamento médico e psicológico que impõe ao acto que ela vai praticar e que por o fazer não tenha que enfrentar o banco de um tribunal e ser condenada, mesmo que seja absolvida ou condenada com pena suspensa. Quanto ao aborto depois das dez semanas, é crime como diz a lei, o aborto clandestino deve ser precavido e combatido, o planeamento familiar deve e vai continuar e a educação sexual nas escolas melhorar, deixar de ser dada por qualquer um e deve ser, também, dada em casa, onde tudo começa.
Eu queria que hoje já fosse dia 12 e que ontem o Sim tivesse vencido. Queria que tivesse vencido e que a ida às urnas tivesse sido expressiva. Que tivesse exprimido a vontade dos portugueses que quererem acabar com esta discussão. Infelizmente não foi, ainda falta uma semana, uma semana de ataques serrados e demagógicos, de mentiras e contra-mentiras, de hipocrisias.
Afinal, nunca mais é dia 11!

Diabos e Demónios

Diz o Público de hoje que o nosso querido Alberto João anda a financiar o "Jornal da Madeira", jornal, aliás onde escreve diariamente a a fazer propaganda a si prório e a falar mal de tudo o que é averso às suas ideias brilhantes. Diz o Tribunal de Contas que foram €5 milhões e que foram 79% do fluxo anual de subsídios dados pela Região a órgãos de comunicação social e segundo o Público será o único órgão estatizado do país.
Alberto João diz que atribui tal subsídio para manter o pluralismo de ideias na sua ilha.
Muito bem, agora resta saber 3 coisas:
- a primeira é saber se Alberto João aceita escrever neste pequeno espaço da blogosfera a troco de igual quantia;
- a segunda é o que é que o TdC vai fazer acerca disto? Relembro que há poucos dias o TdC condenou um sargento a reembolsar mais de €150 mil por uso indevido de dinheiros públicos;
-terceira, e última, quando é que finalmente se vai saber quem financia o Diabo, esse jornal completamente isento e rigoroso onde o mesmo senhor possuí uma coluna de opinião.

sábado, fevereiro 03, 2007

Cansado

Amanhã ainda não é dia 11 pois não? Que pena!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

GRANDES

Fui interpelado à pouco com uma pergunta incómoda: Quem era para mim um grande português? Aliás até uma pergunta bem feita, um grande português, não O grande português, porque isso seria algo impossível de alguém responder.
Optei por duas pessoas. Optei por duas porque são pessoas que contribuiram para eu viver como vivo hoje em dia, com liberdade, democracia, igualdade, justiça social , num Portugal, não muito desenvolvido, mas muito afastado daquilo que era, e do que se previa que viria a ser, à 32 anos atrás. Contribuiram de forma diferente, contudo.
Salgueiro Maia é uma personificação dos Capitães de Abril. Homem fulcral para a Revolução dos Cravos. Para o derrube do regime salazarista. Para que Portugal seja hoje uma democracia. Um homem de coragem que enfrentou 2 tanques com uma granada da mão, num dos momentos mais tensos do dia 24. Homem fulcral para que não se espalhasse sangue no Largo Do Carmo, para que a Revolução pudesse ser a dos cravos e não de outra coisa, para que os antigos dirigentes pudessem sair do país intocados por tantos que exigiam as suas cabeças. Depois afastou-se, o seu dever estava cumprido.

Mário Soares continuou, de certa forma, o trabalho do primeiro e seus pares na construção de um Portugal livre e democrático ( ao contrário do que muitos queriam na altura). Os 3 D's foram cumpridos como muito bem dizia Vasco Pulido Valente na última terça (O Portugal de... RTP). A Democracia tornou-se uma realidade com a Constituição de 1976 e a posterior revisão de 1982 que aperfeiçoou o regime democrático de uma forma que não era possível em 1976. A Descolonização em Àfrica foi feita, e se não foi melhor foi porque foi intensamente condicionada pelas chefias militares que foram quem, no terreno, efectivaram a real descolonização, e no caso de Timor, sinceramente, que mais podia ser feito na altura? Morte até ao último homem como dizia Salazar? O Desenvolvimento foi começado por Soares (se não por quem mais?) com a entrada na CEE, pois, por mais que se seja anti-europeísta ou eurocéptico, não se pode deixar de se reconhecer que foi graças à adesão à CEE que Portugal atingiu o nível de desenvolvimento de hoje. Depois foi só gerir o que vinha.
Além disto foi Presidente da República, fundador de um dos maiores partidos portugueses (PS), deputado, ministro dos negócios estrangeiros, primeiro-ministro, deputado, etc etc etc.
São opiniões pessoais, mas tenho pena que estes dois GRANDES senhores não estejam na lista final do concurso da RTP, mas, afinal, cada um é que sabe quem é o SEU grande português.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Perdas

Já é o segundo vídeo do Professor sem a menina Elisa. Lá se foi a "Betinha de Cascais" .

Idas à China



Não é que eu concorde com o CDS-PP, até porque esta questão isolada não é motivo suficiente, mas já estava bem na hora do Sr. Manuel Pinho começar a pensar em fazer-se substituir, não? Uma asneira ainda se admite, mas já começam a ser demasiados, e se por isso caiu um Governo (asneiras), não vejo motivos porque este ministro não deverá ir pelo mesmo caminho. Só tira credibilidade a este Governo, que bem precisa dela.

Abordagens


Enquanto por cá se discute a posição de uma Eurodeputada e a sua eventual perseguição política ao Governo, lá na Alemanha vai-se agindo.