segunda-feira, novembro 06, 2006

Uma decisão mais que esperada!


Ponto prévio: condeno todas as atrocidades que o regime ditaturial de Saddam Hussein fez contra o seu próprio povo, especialmente os curdos, e mesmo contra os povos vizinhos!

Mas mesmo tendo esta posição acerca de Saddam não posso deixa de condenar a sua condenação (passo a redundância) à morte pelo "chamado" Tribunal Supremo do Iraque. E faço-o especialmente por 3 razões:
1ª- condeno a pena de morte. Sou contra ela seja que caso for. Não se compensa a morte pela morte, porque senão voltariamos à velha Lei de Talião ("olho por olho, dente por dente"), e penso que são os países mais avançados os primeiros a dar o exemplo;
2ª - porque todo este julgamento foi uma farça tamanha que só desprestigia qualquer Estado de Direito e que tenha um sistema de justiça que se preze, desde a nomeação dos juizes, todos "ex-vítimas" do regime de Saddam, ou que têm familiares que foram vítimas, à falta de acesso dos advogados de defesa às provas e aos argumentos escritos da acusação. Para um julgamento destes, podem ter a certeza que mais valia terem-no executado logo que o encontraram, porque se o julgamento era para marcar um ponto de ordem, foi completamente falhado;
3ª mais uma vez os EUA gozaram com o Direito Internacional, recorrendo a ele apenas quando lhe apetece e muito bem quer. O ideal para este julgamento seria a criação de um Tribunal Especial para o Iraque (já que o TPI não julga retroactivamente) que respeitasse as leis e o Direito internacional.

Mesmo com a execução de Saddam ,e a mediatização que se vai gerar à volta dela, nada de bom vai surgir no Iraque.
Lembro que segundo dados da Amnistia Internacional já morreram mais pessoas no Iraque desde 2003 do que em todo o Regime de Saddam, porque apesar de todo o mal que ele fez ,e foi muito, a verdade é que consegui uma unidade entre as 3 partes do Iraque e essa unidade está na ponta da espada, prestes a cair.
Esperemos apenas que a morte de Saddam não os atire para o precipício de vez!

4 Comentários:

Anonymous Curunír disse...

Dizes uma coisa muito acertada: se era para chegar a esta conclusão mais valia terem metido uma bala na cabeça do Homem quando o encontraram no buraco e dizer que ele tava armado ou isso... mas lá se ia a captura e o julgamento fictício que tantos créditos deram aos norte-americanos.

Agora, para condenar este tipo de julgamentos decididos pelos vencedores terás de condenar, também, Nuremberga. Serás capaz?

Quanto aos States mandarem no Dto Internacional. Bem, ele nunca foi grande coisa. Já devíamos estar habituados à Lei dos Grandes (basta olhar para a nossa querida UE). Mas é sempre compreensível sonhar com algo melhor!

20:05  
Blogger Eduardo Pinto Bernardo disse...

"Agora, para condenar este tipo de julgamentos decididos pelos vencedores terás de condenar, também, Nuremberga. Serás capaz?"

Pois, tens razão, os vencedores julgam sempre os vencidos como querem e muito bem lhes apetece. Saddam foi um caso e Nuremberga , com as suas noances, também.
Que todos mereciam um castigo ninguém tem dúvidas, é na forma como se aplica esse castigo que elas surgem. Porque se estamos a condenar alguém à morte, estamos a dizer que nós temos a autoridade de decidir sobre a morte e a vida de alguém, mas que o condenado não tem.
A legitimidade para o fazer? É a mesma que a do condenado. Nenhuma!

20:23  
Anonymous Curunír disse...

Pena de morte - tema tããããoo!!! interessante. (mas é que é mesmo)

21:52  
Blogger Лев Давидович disse...

A advogada do futuro defunto apenas disse o seguinte: "Ou o condenam á morte, ou volta a Presidente do Iraque." Parece que foi a segunda...
Que o Saddam não é nenhum menino do coro, já se sabe. Alias, não há como defendê-lo. A questão, para mim, é só uma: há legitimidade de quem o condenou?
É que esta gente tem tendência a ganhar um titulo de "mito" que poderá, um dia, levar a tragédias bem maiores. Se algum dia houver alguma duvida sobre a competência, mas sobretudo sobre a legitimidade, deste tribunal, a justiça morre.
Discutir, aqui, a pena de morte, é irrelevante. Se ela está prevista, aplica-se. Problema é se ela é bem aplicada e por quem é aplicada.

00:17  

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