terça-feira, novembro 07, 2006

O estado da "Discussão"(3)

Então cá vai a análise política do debate do Orçamento, que devo dizer foi bem menos interessante que a sociológica e ambiental que fiz no post anterior, até porque o que menos se discutiu lá foi o que estava em questão: o Orçamento.
Sócrates começou bem, como sempre. Começou por atacar os anteriores para justificar o estado das coisas e porque certas medidas do Orçamento tiveram que ser tomadas, para seguir com as medidas mais concretas do documento e , para variar fez o seu acto de sempre. Pega num tema polémico e dá-lhe asas. Neste caso os bancos. Medida que tomou conta dos telejornais e que fará capa de todos os jornais do dia.
Numa certa altura do discurso decidiu atacar a Madeira (leia-se Alberto João) e o PSD (leia-se Marques Mendes). Desatou tudo aos berros, conclusão: mais material para os jornais.
A partir daqui e até ao PCP o Orçamento foi-se ao ar. Falou-se de SCUTS aliás como disse Marques Mendes: "o senhor Primeiro-Ministro vai ter que dar uma voltinha comigo pelas SCUTS", taxas moderadoras nos Hospitais, lei das finanças locais e regionais, mas Orçamento que é bom, foi mentira. Sócrates perdeu um bocadinho a cabeça com Marques Mendes e com os seus compinchas, mas no fim daquela peixeirada saiu por cima, até porque aquela comparação triste que Marques Mendes fez entre a Madeira e Felgueiras, acusar o governo de usar o Orçamento e a lei das finanças regionais para ganhar as eleições regionais (o que lhe valeu um "Vá lá!" por parte de António Costa) e uma acusação triste de abandono do combate à evasão fiscal e concentração de meios na arrecadação de receita, foram argumentos que o atiraram para um lugar menor no debate ,até porque abandonou logo o hemiciclo e voltou apenas para as intervenções finais.
Da intervenção do PS nem vale a pena falar. Foi mais do mesmo. Mas valeu a pena para ver Sócrates dizer que ainda ninguém tinha apontado uma falha ao governo (retirem as conclusões que quiserem).
Agora começa uma das partes más de Sócrates. A intervenção de Jerónimo de Sousa foi directo ao Orçamento: acusou Sócrates de populismo, de fazer as medidas mais dificéis todas umas em cima das outras para em 2009 se poupar e fazer campanha.; de beneficiar os bancos e substituir medidas concretas com medidas superficiais como os arredondamentos das taxas de juro, com os cortes na educação e desenvolvimento (tema a que voltaram). A resposta de Sócrates não foi a melhor. Aliás refugiou-se em ataques ao PCP e não respondeu sequer aos cortes no Ensino superior, tema a que voltou outro deputado do PCP e que , outra vez não mereceu comentários de Sócrates sem ser um ataque pessoal.
Do CDS já nem valia a pena falar. Dedicou todo o seu tempo a falar de SCUTS e valeu mais um momento alto de Sócrates ao acusá-los de ainda não terem lido o Orçamento e não estarem preparados para o debater, além de levarem uma boa resposta por terem, também eles, encomendado um estudo por ajuste directo às SCUTS.
Com Francisco Louçã, José Sócrates teve o seu pior momento. Sofreu ataques de não investir nas funções básicas do Estado como a Educação, o desenvolvimento, a saúde, a modernização do país, a inclusão e a justiça e de, apenas, tomar medidas superficiais nesses sectores, mas que têm uma concretização irrisória. Confrontou sócrates com os dados de Setembro do INe quanto ao desemprego, enquanto sócrates tinha referido números de Julho e, apanhou bem Sócrates por este ter referido que as taxas moderadoras não tinham impacto nas receitas e, se não têm impacto nas receitas, não moderam o acesso, não financiam os serviços, para quê criá-las? (não podia estar mais de acordo. Sócrates perdeu a razão na resposta , acusando-o de ser intelectualmente desonesto e mesmo fazendo uma comparação ridícula entre o custo de uma operação e uma viagem entre Lisboa e Aveiro.
Heloísa Apolónia, cuja intervenção pouco ouvi (como referi aqui) voltou à carga quanto ao corte de investimento no ensino superior, no desenvolvimento, na educação, e que todas as medidas governamentais são superficiais. Aliás o discurso de hoje do reitor da Universidade de Lisboa, Sampaio da Nóvoa confirmou tudo o que os deputados disseram sobre a falta de investimento no Ensino Superior e na Ciência e Tecnologia deixando de rastos a propaganda do Governo sobre os aumentos nesta área (porque o verdadeiro aumento foi no PIDDAC). De novo Sócrates esteve mal na resposta atacando pessoalmente Heloísa Apolónia.

Tendo em conta que depois disto decidi tembém abandonar o hemiciclo o balanço é positivo nas respostas á direita e negativa nas respostas à esquerda. Enfrentou bem Marques Mendes, que como sempre esteve em baixo de forma, mas falhou no confronto com Francisco Louçã. Saiu de cabeça levantada do Parlamento, porque sabe que tem um apoio maioritário lá dentro. Mas tem que ter em conta que cá fora o apoio diminui. E é para estes que o Josés Sócrates governa, não para os que se ha bitam o Palácio de S. Bento. E é bom que não se esqueça disso.

Adenda: este texto foi escrito e publicado ontem à noite e embora tenha essa data e hora apareceu apenas hoje de manhã (8-11-1006), daí que algumas notas poderão estar desactualizadas.

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