terça-feira, novembro 07, 2006

O estado da "Discussão"(2)

Tal como prometido vou divulgar em partes a minha passgem pelo plenário da Assembleia da República, local que já não visitava há uns tempos.
Vou começar por descrever o ambiente que se vivia no emiciclo (neste post) para depois, mais concretamente, descrever o debate em si.


Ambiente:
Estava calor, muito calor. O tempo que se espera para entrar nas galerias da A.R. , especialmente em dias de grandes debates, em que há muita adesão e, salvo seja, a organização não é das melhores. Fazem as pessoas andar de porta de galeria em porta de galeria, escoltados por policias até que se encontre um espaço para nos sentarmos.
Começa o discurso de José Sócrates. Pelo que me contaram, depois, porque quando começou eu ainda andava cá fora a passear de um lado para o outro com a devida escolta, não começou muito bem. Problemas técnicos no microfone diziam eles. Mas adiante. Que a nossa "casa da democracia" não era muito bem frequentada já eu sabia, mas há deputados que abusam! Conversam durante discursos e interpelações, trocam pastilhas, passeiam-se entre os corredores com o destino de se apresentarem no bar mais próximo, galanteiam a ministra da Cultura (especialmente Honório Novo) conversam, especialmente Portas e Santana Lopes (regresso conjunto?)etc etc etc.
Mas o momento alto foi o discurso do P.M. Devo confessar que houve partes que me falharam completamente devido a uns senhores deputados do PSD que decidiram começar para lá aos berros, enquanto na bancada contrária se batia palmas, e tantas que elas foram.
Quem não estava com muita vontade de aplaudir Sócrates era a ala esquerdista do PS, leia-se João Cravinho, António José Seguro, Vera Jardim, Maria de Belém, Vitor Ramalho, entre outros compinchas como Manuel Alegre que só chegou no fim do discurso de Sócrates.
Entretanto à minha frente uma jovem universitária escrevia a letras garrafais no seu caderno uma pequena descrição de Sócrates: otário, tosco, bimbo, idiota da merda, paneleiro, entre outros mimos; mas também dos senhores deputados: cambadas de chulos, chupistas, rabetas, etc etc
Devo confessar que ao início fiquei um pouco, digamos, espantado por assistir àquela adesão em massa de povo, mas rápiddamente desapareceu. De intervenção em intervenção o público ia desaparecendo, até que no final da primeira ronda restavam uns poucos corajosos que eram, inclusive, olhados de lado (como eu!). Mas, para bem representar o eleitorado, os senhores deputados iam igualmente abandonando o cenário.
Mas de peixeirada em peixeirada lá foi decorrendo o debate. Digo peixeirada, porque se nas galerias dizer um "ai" vale uma reprimenda do senhor oficial, lá em baixo está tudo na amena cavaqueira. Cavaqueira até é pouco, porque eles falam tanto e tão alto que, por exemplo, não consegui apanhar nada do que a deputada d'Os VERDES Heloísa Apolónia disse, tal era o burburinho que lá ia. Já nem falo da cena entre Sócrates e Marques Mendes em que as duas bancadas se divertiram a gritar uma om a outra até que Jaime Gama decidiu fazer alguma coisa.

"Enfim", era tudo o que me vinha à cabeça. Ali está, apenas, um bom exemplo do nosso povo. E afinal de contas, fomos nós que lá os pusemos, por isso não temos nada que reclamar, ou pelo menos é o que eles dizem para se defender!

1 Comentários:

Anonymous Curunír disse...

Posto muito ilustrativo de "Anita vai à Assembleia" (e vai saindo progressivamente após a 1ª hora de debate). Só queria acrescentar algumas intervenções feitas pelos nossos "representantes", para deleite dos leitores deste blog:

- "e assim os portugueses deixarão de ter scuts no sistema nacional de saúde" (toma Sócrates)

- "você nao deve tar é a ver bem" (toma Marques Mendes)

- "o sr. deputado fala como se um português fizesse uma operação ao apêndice todos os dias" (toma Louçã)

and more...

22:51  

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

<< Página inicial